terça-feira, 4 de março de 2008

Músicos e artesãos

Durante o período histórico que ficou conhecido como Idade Média, a produção de bens manufacturados e produtos necessários a existência dos homens era atributo dos chamados artesãos.
O volume desta produção era baixo, uma vez que os processos produtivos em larga escala só surgiriam com a revolução industrial,que teria seu inicio, grosso modo, a partir de meados do século XVIII.
Esta classe de profissionais portanto, não resistiu a brutal competição produtiva iniciada com a modernização dos modos de produção, e em 100 anos, era uma categoria praticamente extinta da Europa do século XIX.
Mas o que teriam os artesãos extintos a ver com a musica do século XXI? bem, quase nada, a não ser que é bem possível que pelo andar da carruagem, em 100 anos os músicos sejam os artesãos extintos dessa nossa era pós-moderna!
Os músicos e espetáculos ao vivo sempre existirão, obviamente, mas cada vez mais relacionados a um grande patrocinador, e é fácil observar cada vez mais que até as casas de espetáculos de maior porte já tem em seu nome as marcas destas grandes empresas.
Quanto as pequenas casas, estão cada vez mais em menor numero, por fatores diversos, e não coloco o fator segurança entre eles de forma alguma. Observe-se que o show dos Rolling Stones na praia de Copacabana teve quase 1 milhão de pessoas na praia, o de Lenny Kravitz teve por volta de 300.000 e por aí vai.
A questão poderá estar mais relacionada ao fato de que o publico de uma forma geral, não sai mais de casa para ouvir musica, mas sim para ir a algum evento de musica, o que é parecido mas esta longe de ser a mesma coisa.
Dessa forma, eventos de musica produzidos de maneira empresarial tendem a ter uma grande quantidade de público, seja porque os artistas que se apresentam serem ainda “vacas sagradas” de uma outra geração (Bob Dylan, Roberto Carlos, Stones) seja porque os artistas envolvidos estejam no auge de algum sucesso radiofónico.
Assim, os espetáculos de música estão cada vez mais relacionados a alguma forma de patrocínio, sejam eles privados e/ou estatais, pois não existe , de uma forma geral, uma demanda "natural" para música ao vivo
Quanto a música produzida no varejo, com produções mais simples, em casas menores como clubes, teatros e bares em geral, por artistas também do “varejo”, esta se encontra no momento cada vez mais restrita, o que nos permite supor que, por estrita necessidade de sobrevivência e adaptação aos novos tempos, estes artesãos musicais tenham que buscar novas formas de ganharem seu dinheiro.

5 comentários:

Rafaelle disse...

Taí mais uma faceta de Otavio Rocha! Além de seu brilhantismo slideano ele nos surpreende agora com mais essa.

Adorei o Texto, coerente, bem escrito, e que nos faz refletir um pouco sobre as ações dessa mão "bem visível" do mercado da música.

Antrhopological Blues Total!!! Roberto da Matta que se cuide! rs.

Até mais!

Melissa , Ju e Cláudia disse...

E as abelhas, não merecerão destaque???

Beijos,
Filhinha

Anônimo disse...

Muito bem, Mr. Ota, vais pelo caminho do bom entendimento. Espero que as pessoas leiam as suas idéias e sua interpretação da Música, que agora rompe o limite das cordas da guitarra.
Abraço!

Dj Marcelinho disse...

Olá Otavio, td bem?
Você toparia dar uma entrevista num programa de webradio? www.radiojb.com, é feita no Japão por brasileiros e tenho um programa o Tufutum..a radio é voltada pra BlackMusic em geral com varios canais de musica e gostaria muito de fazer um programa sobre Blues mas com alguma personalidade expert no assunto. Contar um pouco da estoria e até fazer a seleçao musical. Gostaria de passar mais detalhes, meu email é djmarcelinho2005@yahoo.com.br, eu enviei um email pro site de vcs falando sobre. Bom, mais detalhes eu passo por email ok?
Muito obrigado e muito bom texto,
um abraço.
Marcelo.

Unknown disse...

Muito bom pensamento.

Um Abraço
Rodrigo